«O que faz uma pessoa quando se enche de orgulho? Endireita-se, levanta a cabeça, apruma os ombros, o corpo todo. Ao contrário, quando alguém é humilde de sentimentos e se sente pequeno, inclina a cabeça, “abaixa-se “. E tanto mais profundamente o faz, quanto maior é aquele diante de quem está, ou quanto menos ele próprio valer a seus olhos.
Mas onde sentimos nós mais claramente quão pouco somos do que quando estamos diante de Deus? O Deus grande que era ontem como é hoje, e depois de séculos e milénios! O Deus grande que enche a cidade inteira e o vasto mundo e o incomensurável céu estrelado e diante do qual tudo é como um grão de areia! O Deus Santo, puro, justo, infinitamente sublime… Como Ele é grande… e como eu sou pequeno! Tão pequeno que de modo nenhum me posso comparar com Ele, que diante d’Ele sou nada!
…Para não se apresentar com tanta presunção, o homem ajoelha-se. E se para o seu coração isso não bastar, pode até prostrar-se…
Quando dobrares o joelho, não o faças apressadamente e de forma descuidada. Dá alma ao teu acto! E que a alma do teu ajoelhar consista em inclinar também o coração diante de Deus, em profunda reverência.
Quando entrares ou saíres da Igreja, ou passares diante do Santíssimo, dobra o joelho profunda e lentamente e que todo o teu coração acompanhe este flectir. Isso há-de significar: “meu Deus eu Vos adoro”!…
Isso sim que é humildade e verdade, e fará sempre bem à tua alma e aos outros.»
in “Sinais Sagrados” / Romano Guardini.
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