Estas palavras ouvidas por João Baptista e referidas a Jesus, acabado de ser baptizado, também se aplicam a cada um de nós, no dia do nosso Baptismo. Na verdade, é esse o momento em que Deus nos torna filhos Seus, Irmãos e herdeiros com Cristo, membros de pleno direito da Igreja… Somos, de facto, como diz S. João, a partir desse momento, Filhos muito amados; não por natureza, mas por graça e misericórdia de Deus que nos torna Seus por adopção.
O mais triste de tudo é o grande número dos que ambicionam os direitos de herdeiros e esquecem os deveres de filhos. Mesmo em ambientes tradicionalmente religiosos, Deus vai sendo forçado à condição de ausente e posto à margem nas pequenas e grandes decisões.
O ambiente no interior das famílias e grupos vai religiosamente resfriando, porque Deus conta menos nos projectos pessoais e é cada vez mais frágil, interesseira e fragmentada a relação com Deus, esquecido nas horas felizes e obrigado a socorrer-nos nas mais difíceis.
À medida que o tempo para Deus for diminuindo, a vida vai arrefecendo e o homem, reduzido às suas circunstâncias, torna a sua existência, já de si tão fugaz, ainda mais atribulada.
Estamos a terminar o tempo de Natal. Por ser tão curto, corremos o risco de não nos apercebermos das consequências da infinita grandeza do Mistério da Encarnação do Filho de Deus, que, ao fazer-Se homem, totalmente homem, homem entre os homens, nos abre as portas à dignidade de Filhos muito amados e nos torna irmãos de todos os que Ele pelo Seu nascimento não enjeitou, antes se fez irmão.
Pe. Fausto
in diálogo 1363 (Festa do Baptismo do Senhor – Ano C)
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