Na sequência do domingo passado, Jesus, confidencia aos discípulos que o Seu futuro próximo vai passar pelo sofrimento e pela morte, mas que a última palavra é do Pai, que O há-de ressuscitar, três dias depois. A verdade, porém, é que o assunto, apesar de grave, não mereceu qualquer atenção por parte dos discípulos, porque o mais importante era garantir lugares influentes e próximos do poder e assegurar condições para carreiras brilhantes. Era sobre isso que discutiam uns com os outros no caminho!
Chegados a casa, Jesus aproveita para lembrar aos discípulos um dos princípios fundamentais de que não abdica e quer ver aplicado na comunidade dos Seus amigos: “quem quiser ser o primeiro há-de ser o último e o servo de todos”. E chamando uma criança, abraça-a com ternura, como quem diz que o que importa não é o lugar que se ocupa, mas o amor posto naquilo que se faz, mesmo que seja sóbrio, pequeno e discreto…
Não nos escandalizemos, porém, com os discípulos, porque replicamos frequentemente o seu comportamento. Ainda não há muito, diante da fotografia de um corpo de criança, sem vida, que o mar deu à praia, o mundo comoveu-se e estremeceu. Comoveu-se, mas pouco se adiantou.
É preciso pôr em prática as lições que Jesus deixou aos Seus, se queremos fazer desta nossa terra um lugar de justiça e de paz. Quando os interesses pessoais, étnicos, religiosos ou de nação, falarem mais alto que o respeito pela vida e pelo bem comum, haverá mais muros e barreiras de arame farpado e menos acolhimento, ternura e humanidade. E também menos lugar para Deus.
P. Fausto
in diálogo 1484 (XXV Domingo do Tempo Comum – Ano B)
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