Estes dias são intensos de memória e gratidão e, mesmo sem a habitual tolerância de ponto, que permite alguma liberdade, não passam despercebidos a ninguém. E à Igreja também não, pela oportunidade de se alimentar a vida que ultrapassa o espaço e o tempo e celebrar o mistério da Comunhão entre os que desta já se foram e os que ficaram.
Outro não pode ser o nosso destino. A morte separa, impõe o afastamento, mas não impede a comunhão e muito menos
mata o amor.
Todos filhos de Deus, todos chamados à santidade, todos convidados à Festa. A multidão incontável que ontem celebrámos, provém de todos os tempos, latitudes e credos.
Homens e mulheres comuns, santos da vida diária, que, antes de passarem para a outra margem, sintonizaram pelos valores
da vida e da comum dignidade humana, deixaram rastos luminosos, duradouros e bonitos de verdade e justiça, de sinceridade e pureza de coração, de amor e entrega aos outros. E tudo vivido com simplicidade e beleza!
Ontem, agradecidos, honrámos todos os Santos e hoje comemoramos os Fiéis Defuntos. Para aqueles a Festa já começou, é plena e não terminará; para estes os festejos também já começaram, mas não em plenitude, porque precisam de cuidar das vestes, branqueando-as no Sangue do Cordeiro. Para uns e para outros brilha a presença de Cristo Ressuscitado, Alegria e Esperança! E também para nós, por agora, entre sorrisos e lágrimas!
P. Fausto
in diálogo 1444 (Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos – Ano A)
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