Palavras sem tempo!

20140356_XXIXa

 

“A falar é que a gente se entende”, diz o nosso povo. Tal não aconteceu no encontro de Jesus com os fariseus e os herodianos, segundo o Evangelho deste domingo, porque uns e outros se acercaram do Mestre e meteram conversa, apenas para O apanharem nas palavras e O poderem acusar formalmente.
Eram dois grupos rivais, ideologicamente opostos, situados no topo da pirâmide social e comprometidos em encontrar motivo para levar Jesus a tribunal, e nada descobriram melhor que pedir-lhe um parecer sobre a licitude do pagamento do imposto cobrado pelo dominador romano. A questão era muito delicada.
Jesus, habituado a nunca fugir às questões, e apercebendo-se perfeitamente da armadilha, pede, com toda a serenidade do mundo, apenas, que lhe mostrem a moeda do tributo. A sentença é de todos conhecida: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.
Neste encontro/desencontro, Jesus revela um profundo desconforto com a hipocrisia e a falsidade, mostrando claramente que jamais O convencem os que se apresentam com segundas intenções, ainda que embrulhadas em falinhas mansas e palavras de verniz.
“A Deus o que é de Deus”. E o que é de Deus? Para Jesus, só Deus, e mais ninguém, por mais títulos e poder que tenha, é o Senhor do mundo e das pessoas, que, por trazerem impressa a imagem do Deus da vida e da liberdade, é quem merece o primeiro lugar no coração do homem.
E “a César o que é de César”, para nunca descurarmos os nossos deveres de cidadãos, solidários e co-responsáveis pelo bem comum. Assim, nunca seremos cristãos conscientes e responsáveis se não formos cidadãos conscientes e responsáveis….
A sentença de Jesus não perdeu a actualidade. É para todos e para todos os tempos.

P. Fausto

in diálogo 1442 (XXIX Domingo do Tempo Comum – Ano A)

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