A realidade que nos circunda atinge muitas vezes os patamares da crueldade e tragédia. O cortejo de violências, injustiças, guerras, fome, doenças…, é de tal ordem que parece abafar o poder de Deus, provoca em muitos perplexidade e até parece dar razões para negar a Sua existência. E pergunta-se porque é que Deus não intervêm, nem se manifesta.
Esquecemo-nos que Deus joga na paciência, julga com brandura, governa com indulgência e sabe esperar quem prevaricou. Ele, que já no Antigo Testamento Se revelou o Deus bom e paciente, a Quem Jesus chama e mandou chamar Pai, respeita as nossas opções e dá tempo ao arrependimento e à conversão.
Diante da nossa impaciência, que às vezes não é mais que zelo farisaico, nem sempre isento de vingança e, frequentemente, sinal de fraqueza e medo, é na paciência que Deus manifesta o Seu amor, a Sua grandeza e o Seu poder.
Na história da Igreja e na de todos nós, quanto trigo e quanto joio! Apesar das forças contrárias que pretendem abafar o poder da semente, o sucesso da colheita está garantido, porque há-de vir sempre ao de cima a bondade, a compaixão… numa palavra, a Paciência de Deus. Só nesta escola aprendemos a não fazer justiça pelas próprias mãos, a respeitar a liberdade uns dos outros, como valor sacrossanto, e a crescer em humanidade. Assim nos tornamos mais humanos e mais conformes à imagem e semelhança de Deus.
P. Fausto
in diálogo 1436 (XVI Domingo do Tempo Comum – Ano A)
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