“Eu sou o pão vivo”

Corpus-Christi

A história de cada um, como a do povo de Deus referida no Livro do Êxodo, tem muito de deserto, com momentos de tudo e de nada, de encontro e desencontro, de euforia e nostalgia, de frustrações, medos e esperanças. Tem de tudo. Em todos os tempos. E é neste contexto que Cristo Se deixou ficar e Se oferece como alimento.
A solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, que há bem pouco passou para o domingo a seguir ao da Santíssima Trindade, proporciona-nos uma bela ocasião para compreendermos a importância “do admirável sacramento” na vida da Igreja e na vida do cristão que não queira resignar-se à mediania.
É verdade que somos cristãos porque baptizados, mas não somos discípulos de Jesus Cristo se não alimentamos a nossa vida da Palavra de Deus e da Eucaristia, porque o espaço para Deus vai diminuindo e a vida vai arrefecendo. É que à medida que dispensa Deus do seu projecto, o homem esbarra com os seus próprios limites e, sem fio condutor e sem futuro, arrisca-se ao absurdo da aridez e do deserto na sua existência.
Jesus veio para todos e por todos ficou, mas não Se impõe a ninguém, nem mesmo àqueles para quem basta o pão do estômago, ou mesmo para quem faz da luta pela igualdade e fraternidade o seu último e supremo objectivo. O homem para ser feliz não precisa só de pão, mesmo que seja o da liberdade, da justiça e da paz, mas também “de toda a palavra que sai da boca do Senhor”, como diz o Deuteronómio, e de Jesus Eucaristia. Se quiser ter vida com sentido e em abundância!

P. Fausto

in diálogo 1432 (Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo – Ano A)

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