De quem a última palavra?

20110410

Estranha palavra de Deus neste domingo, ao falar-nos de campo de ossos ressequidos, sem vida! Curiosa a maneira de descrever o estado de alma do povo que, amorosamente libertado do Egipto, vive sem memória e carrega um presente de opressão e sem futuro. Um povo morto. Apenas ossos ressequidos.
É a este povo que Deus Se dirige pelo profeta Ezequiel a lembrar que é de Palavra, sempre foi fiel e vai abrir os túmulos e retirar o Seu povo das sepulturas, a fim de o reconduzir à terra de Israel.
Para quem sofria a deportação e opressão em terras da Babilónia, esta mensagem reveste-se de beleza e esperança e mantém-se oportuna para todos os tempos. Não será, por ventura, uma mais valia, a certeza desta presença atenta e a consciência da solicitude amorosa de Deus, em todas as circunstâncias?
Como ontem, também hoje precisamos de profetas que anunciem e testemunhem que só a Deus cabe em tudo a última palavra. Nem mesmo a morte é a última palavra. Isto mesmo confirma Jesus no Evangelho ao ressuscitar o Seu amigo Lázaro. A última palavra é sempre de compreensão e solidariedade para com os Lázaros, Martas e Marias de todos os tempos. A última e definitiva palavra será sempre de compaixão e misericórdia. Nem pode ser outra, porque Deus é Amor.

P. Fausto

in diálogo 1421 (Domingo V da Quaresma – Ano A)

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