Transfigurados e luminosos!

20140316

Assim deveríamos ser, como Abraão, livres, disponíveis, confiantes e entregues nas mãos de Deus!
“Deixa a tua terra… e vai para a terra que Eu te indicar”, diz Deus a Abraão. Como estamos longe! Admiramos a generosidade deste homem, que não faz contas nem pede explicações, e louvamos-lhe a fé, que o leva entregar-se inteiramente nas mãos de Deus; mas é bem pouco e de pouco vale ficarmo-nos apenas a contemplar e a louvar aquele que, moldado pela obediência à palavra e vontade de Deus, se torna modelo para o crente e nosso Pai na Fé.
O processo de transfiguração de cada um não é somente desafio deste domingo ou mesmo da quaresma, dura a vida inteira. Mas é este o tempo, apesar das dificuldades, em que somos chamados a ser cristãos coerentes e dignos e isso nunca foi nem será fácil, dada a tentação que todos temos de fazer contas com Deus e de lhe pedir o máximo de explicações, contentando-nos muitas vezes com um cristianismo a meias, feito de algumas práticas rituais, mas sem grandes compromissos e transtornos.
Não nos iludamos: o processo de transfiguração pessoal, se não traz dor, não é redentor.
Mais que nunca o exemplo de Abraão, nosso Pai na Fé, vem ao de cima e estimula-nos à generosa e confiante entrega nas mãos de Deus. É assim que nos tornamos luminosos e transfiguramos também a sociedade e o mundo e projectamos luz para além do tempo, até à plenitude da transfiguração em Cristo. Até lá há que fazer sempre, mas especialmente na quaresma, o nosso trabalho de casa!

P. Fausto

in diálogo 1418 (Domingo II da Quaresma – Ano A)

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