Só um dia?

20140202

A liturgia do quarto domingo, que por sinal este ano é o dia da festa da Apresentação do Senhor e Dia dos Consagrados, apresenta-nos Jesus a proclamar as Bem-aventuranças com tal entusiasmo e convicção, que os olhos daquele “povo pobre e humilde” não se desviavam um milímetro e cada palavra era guardada religiosamente no coração. O entusiasmo era geral. Apesar de nem todos entenderem em profundidade o alcance das palavras, estas sabiam a mel na boca daquela pobre gente.
Com um discurso aberto e dirigido a todos, Jesus diz claramente que são os pobres, os humildes, os puros de coração, os pacíficos, os que sofrem pela justiça e pela verdade, que ocupam um lugar de predilecção no Seu pensamento e no Seu coração e se tornam os mais “sérios candidatos” ao Reino de Deus.
As bem-aventuranças não são apologia da pobreza ou consolação e conforto pela felicidade adiada, e muito menos propostas de conivência com situações de injustiça e opressão, mas princípios que Jesus desenvolve na Sua pregação e confirma com o Seu exemplo e que apontam para um novo estilo de vida, para um projecto de felicidade não baseado no ter e poder, mas no primado do homem e no Absoluto de Deus.
Celebramos neste domingo a festa da Apresentação do Senhor no templo e convidam-nos à oração pelos Consagrados. Fazemos muito bem. Mas rezar pelas vocações consagradas e comprometer-se na sua promoção não é questão de oportunidade, sensibilidade, devoção ou jeito, mas obrigação e necessidade de todos e todos os dias. É que é preciso, e cada vez mais, que homens e mulheres, apesar das suas fragilidades, nos ajudem a viver com alegria, fidelidade e ousadia “os valores do alto”. E melhor que ninguém os consagrados o podem e devem fazer por vocação e missão.

P. Fausto

in diálogo 1412 (Domingo V do Tempo Comum – Ano A)

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