O mestre publicano

Para aprendermos a rezar, Jesus, neste domingo, conta a história de dois homens no templo. Um era fariseu e o outro publicano. O fariseu, em pé, rezava: “Meu Deus, dou-vos graças por não ser como os outros homens… e nem como este publicano“.
Como todos os fundamentalistas, o fariseu pensa que é o único que se salva num mundo de imoralidade, de violência e de desonestidade. Na sua oração nada mais faz que informar Deus dos seus méritos. É um narcisista assumido, só com virtudes e bons actos. É autossuficiente. Não precisando de Deus nem de ninguém, regressou a casa, sim, mas não reconciliado e em paz.
O publicano, porém, nem sequer ousa levantar os olhos, e, batendo no peito, só se atreve a dizer “Tem compaixão de mim, que sou pecador”.
Enquanto o fariseu constrói a sua religião sobre aquilo que faz (e faz muito !), o publicano edifica-a sobre aquilo que Deus faz por ele. E isto faz toda a diferença.
Ouvirá Deus sempre as nossas orações? Sim. Deus ouve sempre, mas não os nossos pedidos, e dispensa os nossos pergaminhos, porque a oração não é fundamentalmente para receber, mas para sermos transformados como o publicano da parábola de hoje, que, humildemente, ao pedir apenas misericórdia, “voltou justificado para sua casa”.

P. Fausto

in Diálogo nº. 1928 (Domingo XXX do Tempo Comum – Ano C)

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