Celebrar de corpo inteiro — A Liturgia que nos move, por dentro e por fora
O que fazemos com o nosso corpo durante Missa importa? O estar de pé, o ajoelhar, o sentar, o cantar? A resposta da Igreja é um claro e profundo “sim”! A Liturgia, coração pulsante da fé cristã, é celebração de todo o nosso ser: é com o corpo e com a alma que acolhemos o Mistério de Cristo, que se torna presente no meio de nós.
Este “sim” foi recentemente reafirmado pela Conferência Episcopal Portuguesa na sua Nota Pastoral de Maio de 2025, que retoma e desenvolve os apelos lançados em 2020, no documento «Celebrar a Liturgia: um compromisso com o futuro da fé». Neles, os nossos pastores convidam-nos a redescobrir a beleza da celebração bem feita, vivida com fé, dignidade e arte.
Alertam-nos, com clareza, que uma participação distraída, superficial ou fragmentada empobrece o nosso encontro com Deus. Pelo contrário, uma liturgia “viva, fiel e participada” — longe de ser uma “peça de museu” — torna-se verdadeira escola de oração, fonte de unidade e expressão da fé da Igreja.
Cada gesto, por mais simples que pareça, é uma linguagem. Estar de pé, ajoelhar, fazer silêncio ou cantar em uníssono são formas visíveis de manifestarmos o “nós” da assembleia — e não um “eu” individualista. Como afirma o Papa Francisco, “a Liturgia não diz ‘eu’, mas ‘nós’” (Desiderio desideravi, n.º 19) e como ensina o Missal Romano, “a atitude comum do corpo é sinal de unidade e favorece a atitude interior dos participantes” (IGMR, n.º 42).
Por isso, daremos início a uma série de breves reflexões sobre este documento, que nos ajudarão a saborear, gesto a gesto, o que a Igreja chama “a arte de bem celebrar”. Passo a passo, vamos redescobrir os significados, os silêncios e os sinais da Eucaristia — esta que é, como recordava São João Paulo II, “a primeira escola da fé”.
A Equipa Paroquial de Liturgia
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