Deus não dorme

A parábola do rico sem nome e do pobre Lázaro é uma das mais eloquentes páginas do Evangelho, que nos garantem que Deus, mesmo que nos pareça ausente, não dorme.
Apesar de Deus nunca ser nomeado, pela narrativa de S. Lucas compreendemos que estava ali a contar uma a uma as migalhas dadas ao pobre Lázaro, vê o rico coberto de púrpura e de linho, olha o pobre vestido de trapos que lhe cobrem as chagas, vê onde dorme, vê os cães à porta e as carícias piedosas da sua língua; pelo contrário, o rico não olha e não vê; não tem tempo, não tem interesse, identifica-se com a sua riqueza, que é o seu verdadeiro nome.
O dia das contas, porém, chega aos dois, mas com desfecho diferente: “Morreu o pobre e foi colocado ao lado de Abraão e o rico foi sepultado nos infernos”.
O rico não faz mal a Lázaro, não o agride, não o expulsa, simplesmente nada faz por ele apesar de tropeçar nele todos os dias. O seu pecado é a indiferença.
A esta luz, o mal maior que podemos fazer é não fazer o bem e o inferno é tão só o prolongamento na eternidade das nossas escolhas no tempo.

P. Fausto

in Diálogo n.º 1924 (Domingo XXVI do Tempo Comum – Ano C)

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