“A paixão de Jesus hoje

Vivemos tempos conturbados e cheios de sofrimento, sobretudo para os mais pobres e os últimos da sociedade. Quando o dinheiro e os bens materiais ocupam o primeiro lugar de alguns governantes, as guerras que trazem destruição e genocídio em várias partes do mundo não têm fim, podemos perguntar-nos: não estaremos, hoje, a crucificar Jesus na faixa de Gaza, na martirizada Ucrânia, na luta pela lei do mais forte, impondo aos mais pobres tarifas e impostos que vão trazer mais fome, mais doenças e mais injustiça? Como podemos compreender que haja cada vez mais riqueza e mais multimilionários e a desigualdade social seja cada vez maior?!
Os homens não sabem o que fazem contra o Messias Salvador, mas Jesus sabe o que faz por eles. A oração por aqueles que o crucificaram, a entrega do discípulo a sua Mãe e desta ao discípulo, a entrega confiada nas mãos do Pai, ao mesmo tempo que sofre na agonia o abandono de todos, concluem o destino de Jesus.
Após a morte de Jesus, colocam o seu corpo num sepulcro escavado na rocha. A sepultura de Jesus faz parte de todas as confissões de fé da Igreja como uma garantia da sua morte real, a expressão última da sua verdadeira humanidade.
Agora, na contemplação do silêncio do sepulcro, somos convidados a rezar o amor infinito de Jesus por cada um de nós, e a sua identificação com os últimos da sociedade.
Maria, a nova Eva, acarinha o seu corpo nu como no dia em que o deu à luz. Aos pés da cruz, ambos estão prontos para um novo amanhecer – no fim da noite, não há noite, mas aurora!


Da Homilia de D. António Manuel Moiteiro Ramos,
em Sexta-feira Santa
(Celebração Litúrgica da Paixão do Senhor)

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