O Evangelho de hoje, 13º domingo do tempo comum, indica uma viragem no percurso da vida pública de Jesus, que, até aqui, se limitava ao norte da Palestina, em redor do mar da Galileia; a partir de agora ” toma a firme resolução de se dirigir para Jerusalém”. E com esta resolução parece endurecer o discurso para alertar aqueles que se dispõem a segui-Lo para as exigências dum caminho, que deve ser livre e consciente, vivido a tempo inteiro e toda a vida.
Neste domingo, Jesus diz abertamente que o Evangelho não é um livro de “contos de fadas” ou de receitas de salvação a gosto e por isso têm de se desenganar os que julgam que ser cristão é uma espécie de seguro contra todos os riscos ou garantia de vida mais fácil, segura e farta… Os que assim pensam, a avaliar pelo tipo de resposta dada no caminho aos que, cheios de entusiasmo, se diziam dispostos a segui–lo, Jesus diz simplesmente que só é possível aos “adultos e de barba rija”.
Palavras ásperas para uns, inoportunas para outros, podemos dizer, mas o que não podemos esquecer é que o projecto de Jesus exige que se tome a Cruz todos os dias, com liberdade, desprendimento e alegria. E isto só é possível com a graça de Deus, sem dúvida, mas assente num projecto de vida de pobreza e liberdade, de vontade firme e decisão corajosa.
Que ninguém tenha medo. Os sacrifícios pedidos no Evangelho não tornam a vida menos interessante, mais áspera ou sem encanto, antes contribuem para a alegria e realização de quem ousa responder com generosidade aos desafios da sua vocação.
P. Fausto
in diálogo 1387 (Domingo XIII do Tempo Comum – Ano C)
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