O Evangelho deste Domingo continua o da semana passada e situa-se na sinagoga de Nazaré. Há oito dias atendemos à Palavra de Deus e consequente pregação de Jesus e hoje assinalamos a reacção dos ouvintes.
A fama de Jesus estava em alta e a expectativa entre os seus de Nazaré era muito grande, mas, a pouco e pouco, o entusiasmo esmoreceu e deu lugar à resistência e à crítica mordaz e do azedume à tentativa de linchamento foi um passo.
Os mesmos que não poupavam elogios dispunham-se agora a empurrar para o abismo aquele que elogiavam. Tão curta era a sua memória!
Bem depressa se desiludiram os que, reconhecendo as suas capacidades invulgares, vaticinavam para Jesus um futuro brilhante. Bem depressa perceberam que Ele não vinha candidatar-se a qualquer cargo, propor-se a porta-voz dos interesses da terra ou defensor das minorias.
Bem depressa perceberam que o que verdadeiramente o interessava e movia era o anúncio da universalidade da salvação, sem privilégios para a sua terra natal ou para os seus parentes mais próximos e que, apesar de todos terem lugar no seu coração, Deus tem um “fraquinho” especial pelos pobres, os contritos, os oprimidos… São mesmo esses “a menina dos olhos” de Deus. Tudo isto vinha, claro está, ao arrepio das expectativas. Mas Jesus não se intimidou, nem calou. E ainda mais se enfureceram.
Fica-nos o aviso das dificuldades que hão-de experimentar os que quiserem ser discípulos de Jesus. Fica-nos a lição de coragem e liberdade que o Mestre dá, face a todos os poderes. Fica-nos o desafio de sermos profetas, mesmo que não nos aceitem. Avisos e lições desta semana e de sempre.
Pe. Fausto
in diálogo 1366 (IV Domingo do Tempo Comum – Ano C)
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