Há 15 dias, depois de uma boa refeição de peixe fresquinho a culminar uma pesca abundante, estranhámos que Jesus se voltasse para Pedro e lhe pusesse uma questão, no mínimo embaraçante:”Simão, filho de João, amas-me tu, mais do que estes? E à terceira, Pedro, sentindo talvez a acusação da memória ainda fresca, com o coração triste e olhos humedecidos, deixou à consideração do Mestre a verdade do seu amor:”Tu sabes tudo, Senhor; bem sabes que Te amo”. Pensámos então que a questão era só com Pedro, mas não.
Neste Domingo, o 5º da Páscoa, para que não restem dúvidas, ficamos todos a saber que o que identifica e distingue o discípulo de Cristo é a sua capacidade de amar até ao dom total de si mesmo, ao jeito e à medida do Mestre:”Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei”. E isto para todos os tempos e lugares. Só assim, e nesta justa medida, é que a utopia dos” Novos Céus e Nova Terra”não se torna miragem alienante, mas já experiência fecunda e renovadora no coração de cada um, das famílias, das comunidades e da sociedade.
Estas palavras proferidas por Jesus em momento tão solene soam a testamento final, por isso são sérias e importantes. O resto é conversa!
P. Fausto
in diálogo 1378 (Domingo V da Páscoa – Ano C)
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