A limpeza do Templo

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Hoje acompanhamos Jesus ao Templo de Jerusalém, a poucos dias da celebração da Páscoa. O ambiente era de feira, com vacas, cabras, ovelhas e pombas, por todo o lado. O negócio fazia-se entre vozes barulhentas, que regateavam o melhor preço dos animais a oferecer em sacrifício. E os cambistas aproveitavam-se diligentemente do fluxo turístico da diáspora religiosa.
O Templo construído por Salomão, orgulho de todo o judeu, mais parecia uma feira de gado e praça financeira, que casa de oração. A ira de Jesus não se fez justamente esperar, com palavras enérgicas e atitudes de autoridade, a raiar a violência.
“Que sinal nos dás de que podes proceder deste modo”, perguntam. A resposta surge rápida, mas enigmática: “Destruí este templo e em três dias o levantarei”. Mesmo os discípulos, só mais tarde, depois da Ressurreição, descobríram que Jesus falava do templo do seu corpo.
A atitude de Jesus, para muitos violenta e desproporcionada, é a demonstração vigorosa de que a Sua relação com Deus é de comunhão plena, confiança total e abandono filial e reprovação clara dos projectos de vida, sujeitos às leis de mercado económico, de religião ou de moda.
Jesus tem o coração arrumado e a consciência tranquila. Sabe que Deus é de todos, ama todos e não se deixa corromper por ninguém. Por esta causa está disposto a morrer. Com dignidade.

P. Fausto

in Diálogo 1599 (Domingo III da Quaresma – Ano B)

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