Sou livre, sim. Apesar de múltiplas condicionantes, posso dizer que sou livre. Eu e tu, cada um de nós, no fim da linha, tem sempre uma réstia de liberdade que pode usufruir, que nos individualiza e torna responsáveis.
A consciência de liberdade não é de agora, já vem de longe, de muito antes de Jesus, e o livro do Ben-Sirá escutado na primeira leitura deste domingo, escrito entre 190 e 180 antes de Cristo, diz claramente:”se quiseres, poderás guardar os mandamentos; ser fiel depende da tua vontade… Diante do homem estão a vida e a morte: o que ele escolher, isso lhe será dado”.
O texto mostra-nos claramente que cada pessoa é sujeito da sua felicidade ou desgraça, na justa medida em que fizer opções a favor da vida ou da morte; ao leme do seu próprio barco, cada um traça a rota do seu percurso presente e é responsável pelo seu futuro.
A Lei de Deus não é imposição ou colete-de-forças para ninguém, mas referência clara e segura para quem livremente quer voar mais alto e chegar mais longe no Amor.
Ao mesmo tempo que nos aponta o único caminho certo, Deus dá-nos plena liberdade de escolha e respeita-nos. Criou-nos livres. Somos autónomos. E responsáveis. Porque nos ama infinitamente.
P. Fausto
in diálogo 1414 (Domingo VI do Tempo Comum – Ano A)
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