É em pleno coração do Advento que a Igreja celebra a solenidade da Imaculada Conceição da Virgem, Mãe do Filho de Deus. E tem todo o sentido, porque Maria é a mais bela prova de que Deus não desistira desta humanidade, que, em Adão e Eva, reivindica um estatuto de independência, ousa dispensar Deus conscientemente do seu projecto de vida e se arvora em garantia e medida de verdade e moralidade.
Comido o fruto, o resultado está à vista: descobrem a sua nudez, escondem-se de Deus e uns dos outros, fecham-se na sua auto-suficiência e erguem barreiras, apoiando-se em muros argamassados de medos, porque já não são iguais e solidários, mas solitários e rivais. Tornam-se lobos uns dos outros.
Ela, a Imaculada Virgem Maria, que celebramos no dia 8 de Dezembro, em pleno coração do Advento, é a mais feliz e bem aventurada de todas as criaturas… porque se confiou inteiramente a Deus, com liberdade total e consciência plena, tornando-se, assim, a aurora do Sol que não tem ocaso.
Por isso, sendo Imaculada por graça, é também Senhora do Sim e Senhora da Esperança por mérito. É a Senhora do Advento. É a Nossa Senhora de todas as horas. Glorifiquemos o Senhor pelas maravilhas que operou na Virgem e por Ela continua a operar em nós.
P. Fausto
in diálogo 1404 (Domingo Segundo do Advento – Ano A
– Solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora)
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