S. Lucas habituou-nos a encontros absolutamente singulares com gente da margem de todo o género e condição. Jesus não só não os evita, como até parece promovê-los como oportunidade de dizer por gestos o que as palavras não conseguem.
Neste domingo assistimos a um julgamento popular orquestrado pelos escribas e fariseus. Tudo gente muito bem informada nas leis e nas escrituras! Todos sabiam que o castigo previsto para o comportamento da mulher era a pena de morte por apedrejamento. “Quem de vós está sem pecado, atire a primeira pedra”, foi o desafio com que ninguém contava!
Jesus não hesita em ir ao arrepio da lei que não defenda a vida, não promova a dignidade da pessoa e não tenha em vista a sua recuperação. “Alguém te condenou? Também não te condeno”. Ao contrário da sentença que todos esperavam, Jesus, o único com autoridade moral para atirar pedras, perdoa, manda-a em paz e exorta-a a ter cuidado.
Episódio comovedor, sem dúvida, e cheio de ensinamentos para nós que tão apressadamente nos dispomos, como os fariseus e escribas, a julgar e condenar, esquecidos de que à beira do caminho há sempre montes de pedras para atirarmos uns aos outros.
Não há-de ser, segundo Jesus, o rigor das leis e o medo dos anátemas a promover as pessoas e a fazer santos, mas a misericórdia de Deus para connosco e a alegria da reconciliação de uns com os outros.
P. Fausto
in diálogo 1372 (V Domingo da Quaresma – Ano C)
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